17º Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio: Promovedo o Diálogo Palestino-israelense - Uma Visão Sulamericana

July 31, 2009
Os participantes ao final do encontro no Rio

Os participantes ao final do encontro no Rio

Aconteceu no Salão Nobre do Palácio Itamaraty o 17º Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio — que reuniu oficiais da ONU, representantes do Governo brasileiro e jornalistas de vários países — organizado pelo Departamento de Informação Pública da ONU (DPI) com o tema “Promovendo o diálogo palestino-israelense: uma visão sul-americana” com a meta de analisar os novos desafios enfrentados na região.

A abertura 
O evento foi aberto pelo Sub-Secretário-Geral para Comunicação e Informação Pública, Kiyo Akasaka. Ele enfatizou o compromisso das Nações Unidas e da comunidade internacional tanto em garantir a segurança de Israel como em garantir a criação de um Estado palestino independente. Para Akasaka, o principal desafio ainda é recomeçar negociações que partam do princípio de que a criação de dois Estados é a solução.

Akasaka aproveitou a ocasião para lembrar que — tanto em Gaza como na Cisjordânia — a precarização das condições de vida dos palestinos é preocupante. “Ainda que doadores estejam colaborando, a reconstrução de Gaza ainda não começou por conta das restrições impostas pelo bloqueio israelense na região”, protestou Akasaka. “A sociedade civil é quem tem o poder de exigir a paz ou pelo menos contribuir para que a conquistemos”, concluiu. 

Mensagem do Secretário-Geral  
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, enviou uma mensagem para os participantes do Seminário. Nela, Ban destacou a importância de que a comunidade internacional se engaje na conquista da paz na região. Ele afirmou estar muito preocupado com as condições de vida da população civil de Gaza. “Estou dando o máximo de mim para garantir que a reconstrução da área comece o quanto antes”, afirmou Ban. Por último, o Secretário-Geral destacou que os membros da mídia têm um papel central em promover o diálogo e o entendimento mútuo. 

A assimetria do conflito palestino-israelense 
A Comissária-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Karen Koning AbuZayd, falou do desequilíbrio de forças no conflito palestino-israelense. Para ela, no cerne do conflito está a luta palestina por autodeterminação. Enquanto de um lado está uma potência econômica e militar, de outro estão uma série de pessoas enfrentando violações aos direitos humanos e privação econômica ao mesmo tempo em que lutam por um Estado palestino. 

Abuzayd criticou a construção do muro na Cisjordânia por Israel, ao qual, segundo ela, está associado um regime de exclusão. O Muro teria prejudicado o acesso palestino à terra e limitado o espaço disponível para interação social, econômica e cultural. Para Abuzayd, isso causou uma descrença de que um Estado palestino seja política e economicamente viável. Ela lembrou que 11 mil palestinos estão hoje em prisões israelenses e que mais de um milhão de pessoas em Gaza tornaram-se completamente dependentes de doações internacionais de alimentos. Abuzayd afirmou que o isolamento da população de Gaza prejudica negociações de paz, uma vez que cobra um preço muito alto das pessoas, o que gera frustração e um sentimento de injustiça entre os palestinos. 

O desafio de reconstruir Gaza 
Sobre os entraves enfrentados pelas tentativas de reconstruir Gaza, Akasaka afirmou que eles tornam o trabalho humanitário da ONU na região “muito mais difícil”. 

Em contrapartida, o ex-Vice-Ministro israelense das Relações Exteriores, Eli Dayan, afirmou que os discursos comuns sobre o assunto não refletem mais a realidade da situação, que teria mudado. “Penso que estamos testemunhando uma revolução em Israel no que se refere à idéia de dois estados para dois povos”, afirmou Dayan. Ele disse acreditar que os atuais líderes israelenses estão preparados para conquistar a paz junto aos palestinos. Em compensação, eles esperam que os palestinos mudem sua atitude perante Israel. Dayan reconheceu o sofrimento dos refugiados palestinos, mas disse esperar que os países árabes ajudem Israel a lidar com a questão. Ainda segundo o ex-Vice-Ministro, a liderança do Hamas representa uma das maiores dificuldades do processo de paz, já que o grupo não se declara comprometido com os acordos internacionais assinados pela autoridade Palestina e Israel. 

Já o Diretor do Escritório da Agência das Nações Unidas de Assistência a Refugiados Palestinos (UNRWA), Andrew Whitley, disse que a reconstrução de Gaza deve ser vista dentro de um contexto mais profundo, que deve ir além do bloqueio de Israel. Segundo ele, é preciso levar em consideração os danos sofridos pela população de Gaza desde 2000, quando começava a “Segunda Intifada”. Sobre a lista de itens que foram proibidos por forças israelenses de entrarem na região Whitley disse que seria difícil justificar ou entender. 

Em relação ao papel da mídia no processo de paz, um das questões centrais do seminário, o Diretor do UNRWA disse que apesar de existirem jornalistas corajosos e comprometidos com a verdade, há aqueles que tendem a retratar “o outro” de forma estereotipada. Como exemplo, ele lembra que parece ser muito fácil retratar todos os membros do Hamas como terroristas, a autoridade Palestina como “fraca” e o estado de Israel como “cruel” e “expansionista”. 

Por fim, Whitley falou sobre o trabalho do UNRWA e disse que a agência condena os ataques suicidas e os foguetes disparados contra Israel. Ele lembrou também que as escolas mantidas pela ONU em Gaza ensinam aos alunos sobre a importância da Declaração dos Direitos Humanos, uma iniciativa que surgiu após o a perseguição dos judeus na Segunda Guerra Mundial.  

O Brasil como mediador para solução do conflito entre palestinos e israelenses  
O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse em sua participação no seminário que o Brasil, assim como outros países em desenvolvimento poderiam revigorar o debate sobre o processo de paz no Oriente Médio. Ele lembrou que o país possui um histórico de paz entre diferentes povos e que há mais de 130 anos o Brasil não se envolve em nenhum conflito internacional.  

Sobre como o Brasil poderia ajudar na solução do conflito palestino-israelense, Amorim disse que o país tem a confiança de ambos os povos, além do compromisso de evitar animosidades entre as partes. Ele também se demonstrou esperançoso em relação ao futuro da região e observou a diminuição considerável dos ataques contra Israel. Em relação à nova administração norte-americana, liderada pelo Presidente Barack Obama, ele disse se sentir confiante de que os Estados Unidos acompanharam os avanços no debate pela paz.

Sociedade civil e mídia pela paz no Oriente Médio 
No último dia do Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio, a Diretora da Divisão de Comunicação Estratégica do Departamento de Comunicação e Informação Pública da ONU, Paula Refolo, e a cineasta Julia Bacha, discutiram a questão da sociedade civil e da imprensa como possibilitadoras de um diálogo pacífico no Oriente Médio. O painel contou com a participação de palestinos e israelenses que participaram do filme da cineasta, “Ponto de Encontro”, um documentário que mostra as perdas de ambos os lados.  

Políticas Públicas e Opinião no e sobre o Oriente Médio 
O seminário também discutiu a relação da mídia como formadora de uma opinião capaz de impulsionar políticas públicas no Oriente Médio. O painel que debateu o tema, mediado pelo Diretor do UNIC Rio, Giancarlo Summa, reuniu jornalistas e correspondentes internacionais, como a brasileira Renata Malkes (O Globo), o argentino Pedro Brieger (Canal 7, Argentina) e o colunista Gidon Levy (Haaretz).  

O painel debateu os desafios de se colocar como imparcial dentro de um conflito que não tem equilíbrio e apostou no senso-crítico e na consciência da mídia como formadora de opinião na busca pela eliminação dos estereótipos e da incitação à intolerância étnica e religiosa.  

Kyio Akasaka encerra o seminário, mas defende a continuação do diálogo pela paz 
“Por favor, escrevam sobre o que vocês ouviram neste seminário”, disse Akasaka ao dar por encerrado o 17º Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio. O Sub-Secretário-Geral demonstrou confiança de que o diálogo pela paz e de que a mensagem de uma coexistência pacífica, aliada a uma mídia mais responsável e consciente de seu papel, ajudarão a construir uma ponte entre israelenses e palestinos.

Representando o Governo brasileiro, a Embaixadora Vera Machado agradeceu a presença de todos os participantes e lembrou que enquanto ainda existe pessimismo em relação a paz no Oriente Médio, o Brasil permanece otimista e disposto a colaborar pela segurança e pela convivência harmônica de palestinos e israelenses.

2ª edição do curso A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas

July 7, 2009
A professora Vanessa Berner, o Diretor do UNIC e o professor Collin Crawford na abertura do curso

A professora Vanessa Berner, o Diretor do UNIC e o professor Collin Crawford na abertura do curso

O Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC-Rio), Giancarlo Summa, a professora Vanessa Berner, da UFRJ, e o professor da Georgia State University Collin Crawford abriram, no dia 7 de julho, a 2ª edição do curso A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas, realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A nova edição do curso terá como eixo temático o meio ambiente e a mudança climática.

O curso de três semanas, que teve a aula inaugural realizada no Salão de Leitura do Palácio Itamaraty, reúne estudantes de vários cursos — como Direito, Jornalismo e Relações Internacionais —, e vai contar com palestras de especialistas de universidades e de agências das Nações Unidas. O principal objetivo é preencher a lacuna existente na formação dos estudantes brasileiros sobre o sistema ONU e enfatizar a importância de questões como direitos humanos e mudança climática.

Na cerimônia de inauguração do curso, Summa traçou um panorama histórico das Nações Unidas e declarou que os direitos humanos — foco do primeiro curso — estão na base do surgimento da ONU. “Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi concebida, a questão ambiental ainda não estava em pauta. De lá para cá, o ser humano deu o pior de si”, afirmou. Ele defende que a questão ambiental também é uma questão de direitos humanos — e por isso ela é relevante para a ONU. O Diretor alertou que 300 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de desastres naturais relativos à mudança climática e que os pobres são os que mais sofrem. Summa lembrou que em dezembro os líderes mundiais vão se reunir em Copenhague (Dinamarca), para negociar um novo acordo climático, o que deve ser dificultado pela crise econômica. “A crise econômica é transitória; a mudança climática não”, alertou Summa.

O professor Collin Crawford, especialista em direito ambiental comparado, trabalha principalmente na América Latina. Dando continuidade à palestra, ele afirmou: “O Brasil tem as melhores leis ambientais do mundo — no papel”. Para ele, a falta fiscalização por parte das autoridades brasileiras é um problema. Segundo o professor, sua tese é simples: a comunidade internacional não está preparada para enfrentar a mudança climática, porque seus mecanismos de combate não dão voz à maioria da população: os pobres, principalmente os das grandes cidades. “Meus avós nasceram na roça e morreram em uma cidade com mais de um milhão de habitantes. A urbanização é o fenômeno demográfico mais importante do nosso tempo”, afirmou Crawford. Ele alertou que dados indicam que 75% da população urbana mora em favelas, lugares que causam dano ambiental. “É uma tragédia anunciada”, lamentou Crawford.

ONU promove estréia no Brasil do filme “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa”

June 5, 2009
Giancarlo Summa, Marcos Didonet e Cristina Montenegro na estréia de Home

Giancarlo Summa, Marcos Didonet e Cristina Montenegro na estréia de Home

Por ocasião do dia Mundial do Meio Ambiente, o Sistema das Nações Unidas no Brasil, em parceria com a Europa Filmes e o Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (CIMA) promoveu, na última sexta-feira, dia 5 de junho, a estréia brasileira do filme “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa”, que no mesmo dia foi lançado em dezenas de cidades ao redor do mundo.

O lançamento aconteceu no Cine Odeon, tradicional cinema do Rio de Janeiro, e foi precedido por discursos do Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Giancarlo Summa, da Representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Cristina Montenegro, do Diretor da CIMA, Marcos Didonet, da Diretora da Europa Filmes, Caroline Levi, e da Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, SamyraMinistro Carlos Minc. Crespo, representando o Ministro Carlos Minc.

Mais de trezentas pessoas participaram da iniciativa, entre os quais numerosos representantes de organizações ambientalistas e do corpo diplomático. Todos os espectadores receberam um “kit” do Sistema ONU no Brasil, que incluía um folheto sobre as mudanças de hábitos individuais necessárias para contribuir à preservação do equilíbrio ambiental, o discurso do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, e pulseiras verdes e azuis com a escrita “Unidos para combater as mudanças climáticas”. No fim da projeção, o público aplaudiu longamente. “É um filme visualmente lindo, e com uma mensagem muito forte”, resumiu uma espectadora.

O filme foi lançado simultaneamente em 87 países com dublagens em 14 idiomas, incluindo o português. Com produção de Denis Carot e Luc Besson, “Home” traz imagens aéreas de 54 países, o Brasil entre eles, e tem duração de 90 minutos.

Dirigido pelo francês Yann Arthus-Bertrand, que ficou mundialmente conhecido pelas fotos áreas que fez de diversas partes do Planeta, mostra a atual situação da Terra: “Consumimos em excesso e estamos extinguindo os recursos da Terra. Do ar, é fácil ver estas feridas”, conta o diretor. “O que eu realmente quero é que as pessoas cujo consumo tem um impacto direto sobre a Terra, percebam a necessidade de mudar seu modo de vida depois de assistirem o filme”, afirma Bertrand.

O que ameaça a liberdade de imprensa? E a quem a imprensa ameaça?

May 6, 2009
O Diretor do UNIC-RIo, Giancarlo Summa, e o Diretor de Comunicação e Informação da Unesco, Guilherme Canela

O Diretor do UNIC-RIo, Giancarlo Summa, e o Diretor de Comunicação e Informação da Unesco, Guilherme Canela

No dia 6 de maio 2009, o Seminário "O que ameaça a liberdade de imprensa? E quem a imprensa ameaça?”, marcou as comemorações pelo Dia Mundial Liberdade de Imprensa 2009. Durante o evento profissionais de jornalismo e de direito tiveram a oportunidade de debater assuntos como censura e a questão do direito de resposta com um público estimado de 200 pessoas.

O Coordenador de Comunicação e Informação das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Guilherme Canela, abriu o evento destacando que “mesmo em democracias mais avançadas, como o Brasil, não podemos deixar de discutir a liberdade de imprensa, já que nessas nações os problemas de repressão são ainda mais sofisticados”.

O evento contou com a presença do Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, que destacou a importância da reflexão sobre o tema e afirmou que a liberdade de imprensa é uma exigência da própria sociedade brasileira e lembrou que os veículos de comunicação vivem da credibilidade e precisam respeitar os limites entre público e privado. “Quem define o limite da imprensa é a própria sociedade. Até porque o crítico mais severo do jornalismo é o
próprio público e ele não admite ser manipulado”, disse.

A primeira mesa de discussão "Da censura à liminar: a liberdade de imprensa atacada", contou a presença do professor de Direito da Universidade do Espirito Santo, Júlio César Pompeu. Ele enfatizou que “o direito à informação é do povo, ainda que muitas vezes esse discurso seja apropriado por meios de comunicação”. A jornalista da Folha de São Paulo, Elvira Lobato, participou lembrando dos tipos de censura que existem ainda hoje, destacando os mais de 100 processos que vem respondendo na justiça por conta de uma matéria sobre a Igreja Universal.

Durante a segunda rodada de debates, “Direito de resposta: os desafios da informação no Brasil”, o Procurador Regional da República, André de Carvalho Ramos, destacou a importância de ver com atenção e de forma racional os limites da imprensa, que agora só podem ser questionados de acordo com o direito civil. Ele criticou ainda a falta de interesse da midia no desenrrolar das ações do judiciário, o que prejudica o entendimento do processo político.

Paralelo a isso, o jornalista e conselheiro do Comitê Gestor da Internet, Gustavo Gindre, disse que o volume de informações da internet é tão problemático como a falta de informação. Ele defendeu ainda a necessidade de uma regulamentação dos meios de comunicação, o que não significaria censura. Ele acrescentou também que a maior dificuldade é pensar como controlar o que é produzido na internet, já que se trata de um meio de comunicação transnacional.

Esse encontro aconteceu no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e foi organizado pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e pelo Encontro Internacional de Comunicação – Sudeste (Intercom).