2ª edição do curso A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas

07 July 2009
A professora Vanessa Berner, o Diretor do UNIC e o professor Collin Crawford na abertura do curso

A professora Vanessa Berner, o Diretor do UNIC e o professor Collin Crawford na abertura do curso

O Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC-Rio), Giancarlo Summa, a professora Vanessa Berner, da UFRJ, e o professor da Georgia State University Collin Crawford abriram, no dia 7 de julho, a 2ª edição do curso A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas, realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A nova edição do curso terá como eixo temático o meio ambiente e a mudança climática.

O curso de três semanas, que teve a aula inaugural realizada no Salão de Leitura do Palácio Itamaraty, reúne estudantes de vários cursos — como Direito, Jornalismo e Relações Internacionais —, e vai contar com palestras de especialistas de universidades e de agências das Nações Unidas. O principal objetivo é preencher a lacuna existente na formação dos estudantes brasileiros sobre o sistema ONU e enfatizar a importância de questões como direitos humanos e mudança climática.

Na cerimônia de inauguração do curso, Summa traçou um panorama histórico das Nações Unidas e declarou que os direitos humanos — foco do primeiro curso — estão na base do surgimento da ONU. “Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi concebida, a questão ambiental ainda não estava em pauta. De lá para cá, o ser humano deu o pior de si”, afirmou. Ele defende que a questão ambiental também é uma questão de direitos humanos — e por isso ela é relevante para a ONU. O Diretor alertou que 300 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de desastres naturais relativos à mudança climática e que os pobres são os que mais sofrem. Summa lembrou que em dezembro os líderes mundiais vão se reunir em Copenhague (Dinamarca), para negociar um novo acordo climático, o que deve ser dificultado pela crise econômica. “A crise econômica é transitória; a mudança climática não”, alertou Summa.

O professor Collin Crawford, especialista em direito ambiental comparado, trabalha principalmente na América Latina. Dando continuidade à palestra, ele afirmou: “O Brasil tem as melhores leis ambientais do mundo — no papel”. Para ele, a falta fiscalização por parte das autoridades brasileiras é um problema. Segundo o professor, sua tese é simples: a comunidade internacional não está preparada para enfrentar a mudança climática, porque seus mecanismos de combate não dão voz à maioria da população: os pobres, principalmente os das grandes cidades. “Meus avós nasceram na roça e morreram em uma cidade com mais de um milhão de habitantes. A urbanização é o fenômeno demográfico mais importante do nosso tempo”, afirmou Crawford. Ele alertou que dados indicam que 75% da população urbana mora em favelas, lugares que causam dano ambiental. “É uma tragédia anunciada”, lamentou Crawford.